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Doação de sangue

Sangue não se fabrica: cada bolsa transfundida saiu do braço de alguém. A visita ao hemocentro leva menos de uma hora, tira cerca de 450 ml — fração pequena do que circula no corpo — e o volume é reposto em pouco tempo. Muita gente deixa de doar por causa de regra que não existe mais, ou que nunca existiu. O guia abaixo reúne o que a triagem cobra: quem pode doar, quem não pode, o que só adia, os direitos de quem doa e onde achar o hemocentro mais perto.

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Guia prático

Quem pode doar, quem não pode e onde doar

Os requisitos da triagem, o que só adia a doação, o que impede de vez, os direitos de quem doa e os endereços oficiais — inclusive a busca do hemocentro mais perto e o cadastro de medula óssea no REDOME.Abrir a lista de requisitos e endereços

A visita ao hemocentro leva menos de uma hora, e a coleta em si, cerca de dez minutos: saem 450 ml, uma fração pequena do que circula no corpo, e o volume é reposto em pouco tempo. Uma bolsa é separada em hemácias, plaquetas e plasma, e costuma atender mais de um paciente. Quem decide se você pode doar hoje é a triagem do serviço — pressão, pulso, temperatura, hemoglobina e uma entrevista confidencial —, e não esta página: use o guia para chegar lá preparado e para não desistir por causa de regra que não existe.

Quem pode doar

Os requisitos gerais são poucos, e a maioria das pessoas os cumpre sem precisar de nada além de um documento.

  • 16 a 69 anos. Entre 16 e 17 anos é preciso o consentimento formal do responsável legal e, em geral, a presença dele no serviço. A partir dos 60, só doa quem já tinha doado alguma vez antes dos 60.
  • 50 kg ou mais. O volume retirado é proporcional ao que circula no corpo, e é daí que sai o peso mínimo.
  • Documento oficial com foto. Identidade, CNH, passaporte, carteira de trabalho — inclusive as versões digitais. Sem documento não há doação: a identificação é o que liga a bolsa a você se algo aparecer nos exames.
  • Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24. É o motivo de dispensa mais fácil de evitar: marque a doação para um dia em que você dormiu, e não para a saída do plantão.
  • Estar alimentado, e sem comida gordurosa. Evite gordura nas 3 horas anteriores; se for doar depois do almoço, espere 2 horas. Não é frescura: gordura deixa o plasma turvo e pode inutilizar a bolsa.
  • De 60 em 60 dias, ou de 90 em 90. Homens doam a cada 2 meses, no máximo 4 vezes por ano; mulheres, a cada 3 meses, no máximo 3 vezes. O intervalo existe para o corpo repor o ferro, e é por isso que ele é diferente para cada um.

O que muita gente acha que impede — e não impede

Boa parte das desistências vem de regra que não existe mais, ou que nunca existiu. Estas são as quatro que mais afastam doador.

  • Orientação sexual não é critério. Em 2020 o STF declarou inconstitucional a regra que barrava homens que fazem sexo com homens e as parceiras deles, e a Anvisa a revogou no mesmo ano. O que a entrevista avalia é situação de exposição recente — e a pergunta é a mesma para qualquer pessoa, com o mesmo prazo.
  • Tatuagem e piercing só adiam. A espera costuma ser de 6 meses quando o material era descartável e as condições do local são verificáveis, e de 12 quando não dá para confirmar. Passado o prazo, você doa normalmente.
  • Pressão alta controlada, em geral, doa. Quem toma anti-hipertensivo pode doar se o remédio não contraindicar por si só e se a pressão do dia estiver abaixo de 140 por 90. E nunca suspenda medicamento para conseguir doar: isso sim é contraindicado.
  • Diabetes tipo 2 sem insulina, também. Controlado com dieta ou comprimido e sem lesão de órgão, doa. Quem usa insulina não doa. Todo medicamento de uso contínuo entra na entrevista, com nome e dose, para avaliação caso a caso.

Quem não pode doar

Estes impedimentos são definitivos, e existem para proteger quem recebe: transfusão vai para gente em cirurgia, em quimioterapia, em acidente. A relação completa é do serviço de hemoterapia e é maior do que este resumo.

  • Infecções que se transmitem pelo sangue. HIV, hepatite B, hepatite C, HTLV I/II e doença de Chagas impedem em definitivo, mesmo sem sintoma nenhum.
  • Hepatite depois dos 11 anos. Hepatite antes dessa idade não impede — é a idade que separa, porque hepatite na primeira infância costuma ter outra causa.
  • Câncer. Impede em definitivo, com duas exceções: carcinoma in situ do colo do útero e câncer de pele basocelular.
  • Doenças graves de coração, fígado, pulmão ou rim. Entram aí cirrose, doenças autoimunes, problemas de coagulação como trombose e doenças do sangue como anemia falciforme e talassemia maior. Quem tem apenas o traço falciforme, sem anemia, doa.
  • Uso de drogas ilícitas injetáveis. Alguma vez na vida é impedimento definitivo, pelo risco de infecção transmitida por agulha compartilhada.

O que só adia

A maioria dos impedimentos tem prazo, e a data de retorno sai na hora. Se você for dispensado, pergunte por quanto tempo — quase sempre a resposta é “volte em tantos dias”, e não “você não pode”.

  • Gripe, resfriado e febre. De 7 a 15 dias depois de os sintomas passarem, conforme o serviço. Diarreia segue prazo parecido.
  • Gravidez, parto e amamentação. Grávida não doa. Depois do parto normal são 12 semanas; após cesárea, 6 meses. Amamentando, a doação espera até 12 meses do parto.
  • Vacinas. De 48 horas a 4 semanas, conforme a vacina. Vale levar a caderneta se você se vacinou há pouco.
  • Transfusão de sangue. 12 meses depois de ter recebido sangue.
  • Cirurgias e procedimentos. De 3 a 12 meses para cirurgia, conforme o porte; 7 dias depois de extração de dente e 72 horas depois de limpeza dentária.
  • Dengue, malária e tuberculose. 30 dias após a cura da dengue clássica e 6 meses na forma grave; 12 meses depois de malária; 5 anos depois de tuberculose curada.
  • Bebida alcoólica no dia anterior. De 12 a 24 horas, conforme a quantidade.

Os direitos de quem doa

Doação de sangue é voluntária e não pode ser paga — a lei proíbe qualquer remuneração. O que existe é um conjunto de direitos, e a maior parte das pessoas não sabe que eles estão lá.

  • Um dia de folga a cada 12 meses. O art. 473 da CLT garante faltar um dia por ano, sem desconto no salário, com comprovante da doação. Peça a declaração no hemocentro antes de ir embora.
  • Lanche, repouso e sigilo. O serviço oferece hidratação e um tempo de descanso antes de você sair, e a entrevista é confidencial: o que se conta ali fica com o serviço de hemoterapia.
  • Cada bolsa passa por uma bateria de exames. Tipagem ABO/Rh, HIV, hepatites B e C, HTLV I/II, sífilis e doença de Chagas. Resultado alterado é motivo de convocação: o serviço chama você para informar e orientar o que fazer.
  • Mas doar não é fazer exame. Existe janela imunológica — infecção recente pode não aparecer no teste, e a bolsa já teria sido transfundida. Quem quer se testar procura teste rápido e gratuito na UBS ou em centro de testagem. O Ministério da Saúde é explícito: nunca doe sangue apenas para fazer um exame.
  • Isenção de taxa em concurso público. Quem doou medula óssea tem isenção da taxa de inscrição em concursos federais, pela Lei 13.656/2018 — e a Justiça tem exigido comprovação da doação efetiva, não apenas do cadastro. Para doador de sangue, a isenção depende de lei estadual ou municipal, e vale conferir a do seu estado.

Doar medula óssea é outro cadastro

Sangue e medula são doações diferentes, mas o caminho começa no mesmo lugar: o hemocentro. O registro nacional é o REDOME, mantido pelo INCA.

  • 18 a 35 anos para se cadastrar. Basta documento com foto, estar em bom estado geral de saúde e 5 ml de sangue, colhidos para mapear seus genes de compatibilidade (HLA). Você fica no registro até os 60 anos.
  • Cadastro não é doação. Você entra numa fila de compatibilidade e pode nunca ser chamado — ou ser chamado anos depois, quando aparecer um paciente que combine com você. É por isso que o cadastro precisa ser feito antes de alguém precisar.
  • Mantenha telefone e endereço atualizados. Dado velho é a razão mais boba de uma convocação não chegar a quem era compatível. A atualização é feita no site do REDOME, sem ir ao hemocentro.
  • A coleta tem duas formas. Pela veia, como uma aférese, depois de alguns dias de medicamento que joga as células-tronco na circulação; ou por punção do osso da bacia, em centro cirúrgico, com anestesia. Quem escolhe é a equipe, pelo que o paciente precisa.

8 perguntas e 5 curiosidades neste tema. A busca percorre só o que está aqui.

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01/ 08

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“Doar sangue é uma boa forma de descobrir se você tem HIV ou hepatite.”

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